inapologeticamente queer, o FUNCHO frutifica-se no decorrer do caminho da autodeterminação de uma pessoa trans não binária como alavanca de autonomia e pilar de um movimento de contínua autoquestionamento:
como reinvindicação do papel de quem cuida com agência como transformativo, autocurativo e, coletivamente, subversivo

partilhar as minhas propostas para uma outra realidade exige ao FUNCHO semear a agência transformativa de quem interage com o projeto na praxis quotidiana de cada ume, duma perspetiva reparadora

os dois conceitos mais importantes que permitem imaginar e trabalhar estas problematizações:

soberania alimentar

sustentabilidade transformativa

um projeto multidisciplinar

Há 3 anos a funcionar como catering vegano, com alargado âmbito político e social, o projeto multidisciplinar, o FUNCHO problematiza noções de autonomia, ecocomunidade, diversidade e partilha, justiça ambiental e interseccionalidade, com foco na partilha de conhecimentos e práticas do veganismo e da sustentabilidade

Ao criar, pensar e oferecer comida vegana feita de raíz e com zero desperdício através da minha abordagem transformativa, fui-me dando conta que a parte mais urgente e emancipadora do meu trabalho era problematizar, partilhar e propagar uma abordagem transfeminista intersecional — e por isso, vegana de raízà cozinha como modelo de uma outra realidade transformativa, em que operamos com agência e equidade, em que cuidamos a vida e todas as vidas

um projeto transformativo

Cresci com as minhas avós a fazer magia na cozinha, um pai que descobriu nela a sua paixão e tive a sorte de me ver rodeade de pessoas com muito respeito pelas técnica e gastronomia do mundo, o que é um verdadeiro privilégio para mim. Gosto de me imaginar ume cientista maluque cujo laboratório criativo são as panelas. A arte de alimentar o corpo ensinou-me que há muita beleza, amor e cuidado nos gestos mais pequenos do quotidiano mas, também, que esse lugar precisa de ser reinvindicado como espaço criativo de autocura e transformação coletiva. A minha identidade não binária foi o pretexto para estas reflexões sobre o cuidado e, no fundo, o que me motivou a procurar criar um espaço seguro de aprendizagem e de trabalho, numa tentativa de ganhar o pão a fazer o que me faz mais feliz.”

Bá de Sá
Coordenador do FUNCHO

Funcho é uma erva autóctone e silvestre de aroma doce que vemos brotar nas margens do Rio Ave, livre, curativo e aromático…

Inspirado na planta que lhe dá nome, o FUNCHO surgiu como uma plataforma transformativa autogerida e cooperativa, que se queria reparadora, local e comunitária. Materializou-se uma cozinha vegan de fusão fortemente inspirada nas raízes gastronómicas de Entre Douro e Minho — feita de raíz e com a máxima do zero desperdício. Lançamo-nos com o menu de Natal de 2022 e muitas frases sobre o que era, para nós, comer.

como cresceu?

Para encontrar ferramentas de construção de conforto coletivo através da transversalidade radical do cuidado comecei pela refeição…

Ancorando numa alternativa sem crueldade animal à cozinha tradicional da região Entre Douro e Minho este trabalho — sobretudo culinário — o FUNCHO floresceu como uma plataforma transformativa de aprendizagem contínua, em 2022, pelas mãos de Bá de Sá e Carolina Gaspar, que deixou o projeto 2 meses depois. Mais tarde, Isa Sobral foi braço direito e agora colaboro pontualmente com amigues.

conta-me tudo!

Durante cerca de quase 2 anos o FUNCHO foi pioneiro: disponibilizámos o 1º serviço de marmitas com sistema tara de vidro no país…

Primeiramente focado na região que viu nascer o projeto (Vale do Ave), a operação do FUNCHO foi pendular entre Guimarães/Porto e Lisboa na primeira metade de 2024. Contando com menus sazonais, os caterings e outros serviços alimentares, o FUNCHO conta com experiência como catering e como plataforma de aprendizagem. Já tive um Ateliê de Upcycling e Costura aqui também!

e agora?

A cozinha é, então, o ponto de partida para explorar alternativas e problematizar realidades…

Continuarei a realizar serviços de catering e experiências gastronómicas como o chef em casa mas um outro ritmo, focando-me em partilhar mais comida e receitas veganas. Por outro lado, não existem limitações a explorar noutras esferas: os conteúdos digitais didáticos e colaborações são alguns do exemplos das vertentes multidisciplinares do FUNCHO.

#comidaéconforto quando a cozinha é transformativa

o FUNCHO nasceu de uma grande vontade de encontrar na comida, e no ato de cozinhar, um mecanismo curativo que a restabelecesse como conforto; uma forma de reconexão com a alimentação, com o lugar à mesa, com os momentos de partilha e diálogo, o cuidado e as raízes gastronómicas

o FUNCHO é uma plataforma de aprendizagem cooperativa e em constante construção

cozinhar de raíz é recusar atalhos no caminho para o conforto; fazê-lo de forma sustentável e autogerida é compreender que é contigo mesmo que começa o cuidado

nem todo o trabalho do projeto é culinário, mas todo ele é pensado com base na construção de uma simbiose harmoniosa com o planeta e com o meio local, numa prática justa para quem o faz e para quem nos rodeia

Cozinha Transformativa

uma cozinha focada na sua capacidade, não de transformar aquelus com quem interage, mas de dotar essas pessoas de outras ferramentas que lhes sirvam para transformar a sua realidade

partindo da observação da simbiose do ecossistema e dos modos da natureza com as formas de cozinhar do mundo, confecionar para ti como cozinho para mim: com amor e de raíz